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: O Deus a Quem Adoramos ::

Êxodo 34:6-9

         Há uma passagem muito interessante no final do livro de Jô: “... o Senhor disse também a Elifaz,o tenamita: A minha ira se acendeu conta ti e contra teus dois amigos: porque não disseste de mim o que era reto, como o meu servo Jô” (Jó 42:7). A Bíblia Linguagem de Hoje traduziu assim: “... estou muito irado com você e com seus dois amigos, pois vocês não falaram a verdade a meu respeito, como meu servo Jó falou”.

         Esse texto nos faz pensar em algo extremamente importante: O que estamos falando sobre Deus durante nosso dia a dia?. A letra dos cânticos, dos hinos, as orações e a pregação estão dizendo o quê, a cerca de Deus? O que o próprio Deus diria a nós, após o culto que apresentamos a Ele? O propósito desta lição é pensarmos juntos acerca da natureza e do caráter do Deus a quem adoramos.

I – Como é Deus a quem adoramos?

         Quer você esteja consciente quer não, o conceito que adotar sobre Deus afetará a sua vida de adorador. Aliás, “é correto entender que, pelo menos em parte, o tipo de pessoa e cristão que somos e vamos nos tornar nos próximos anos é a conseqüência de nossas crenças e doutrinárias”.

         No livro Seu Deus é Pequeno Demais, J.B. Phillips (Editora Mundo Cristão) trabalha alguns aspectos das imagens que trazemos de Deus.

         1. Conceitos errados sobre Deus

          a. O Deus “vovô”. Um ser barbudo parecido com Papai Noel, e, como está velho, não tem poder para fazer tudo o que gostaria.

            b. O Deus “político”. Quer ser agradado o tempo todo. E se eu conseguir agradá-lo, vou ter meus pedidos atendidos.

            c. O Deus “gênio da lâmpada maravilhosa”. Existe para satisfazer nossos desejos e atender nossos pedidos.

            d. O Deus “diretor-presidente”. Deus é tão grande, tão importante, que a nossa vida é pequena demais para que Ele tenha tempo para Se preocupar conosco. O reino de Deus é uma empresa.

            e. O Deus “capturado”. Ele é Deus da “nossa igreja”, da nossa denominação, do nosso grupo, etc. Somos os melhores adoradores, por isso dá atenção especial a nós.

         2. Possíveis razões desses conceitos errados

          a. A influência da educação paterna.

              O pai de Rodrigo é um executivo de uma grande empresa. Ele viaja sempre e não passa muito tempo com sua família. Rodrigo acha que Deus é como seu pai: distante e sem tempo para ouvi-lo

                O pai de Adriana é alcoólatra. Várias vezes ele chega bêbado em casa e age com violência. Adriana acha que Deus é como seu pai: sempre irado e sem amor.

                O pai de Raquel compra tudo que ela pede: desde CDs até roupas de grifes no shopping. Raquel pensa que Deus é como seu pai: alguém que tem que dar tudo que pede.

                Jorginho nunca conheceu seu pai, pois os pais se separaram poucos meses depois do seu nascimento. O pai nunca quis saber dele. Jorginho acha que Deus o abandonou.

               O que Rodrigo, Adriana, Raquel e Jorginho têm em comum? Estão baseando suas idéias na maneira de agir de seus pais. Certamente isso vai afetar sua prática de adoração.

            b. A influência do ensino errôneo.

             Um homem era membro de uma igreja que tinha a seguinte doutrina: “Deus abençoa quem se sacrifica; Deus honra quem persevera; e Deus abomina quem retrocede”.

              É evidente que tudo girava em torno da teologia da prosperidade. Mas como será a adoração de alguém que crê assim? Certamente será em torno das Leis e não de um relacionamento.

           c. A influência do mundo pós-moderno.

             Se muitos que estão na igreja têm conceitos errôneos sobre Deus, imagine os que estão no mundo! Será que o mundo pós-moderno, que é caracterizado por secularização, consumismo, pluralismo religioso, privatização e relativismo moral, não influenciam a mente de muitos filhos de Deus? Você tem a resposta.

  • Você tem algum conceito errado sobre Deus? Acha que isso influencia sua adoração?

  • Seu pai terreno e seu Pai Celestial se parecem em algo?

II – Quem é Deus

         Ao perguntarmos “quem é?”, queremos conhecer a natureza do ser. Saber o seu caráter inato. Não se trata do que alguém tem, mas o que ele é. Olhamos para o ser a essência.

         Deus, em hebraico, é Elohim. A raiz EL, palavra muito antiga significa “forte”, “poderoso”. Então, EL é um Ser mais forte e poderoso que o homem. A seguir destacamos as principais descrições da natureza de Deus.

1.    Deus é Espírito (Jo 4:24; 1:18, I Tm 1:17; 6:16)

Deus não é um espírito, mas é espírito. Isso quer dizer que, em Sua essência, não há nada que seja matéria. Deus é espírito, só espírito, puro espírito. Espírito é realidade, mas invisível e imaterial, por isso é que, em I Timóteo 1:17, o apóstolo Paulo diz que Deus é “invisível”.

E você me pergunta sobre Jesus Cristo! A resposta é que a encarnação de Cristo (“ e o verbo  se fez carne” – Jo 1:14) tem um propósito específico: Ele precisava de ter uma carne e sangue para poder morrer por nossos pecados (Lc 24: 39; Hb 9:22).

         2. Deus é Único (I Tm 2:5)

Há um só Deus. Essa é a verdade que recebe maior destaque em toda a Bíblia (Dt 6: 4-5; Is 44: 6; Jo 17:3). Não existem outros deuses. O que acontece é que os homens criam imagens e as chamam de deuses, mas não são.

3. Deus é Luz ( I Jo 1:5)

Isso se refere a santidade absoluta de Deus. A luz emprestou Seu nome a tudo que comunica vida (Jo 1:4), verdade (2 Co 4:6), doçura (Ec 11:7) e pureza (I Jo 1:5-7).

4.      Deus é amor (I Jo 4:7)

O ensino básico é que Deus é a fonte de todo amor verdadeiro. Mesmo quando Ele julga e disciplina Seus filhos a motivação é o amor (Ap. 3:19)

         5. Deus é uma pessoa

O homem foi criado a imagem de Deus (Gn 1:16). Isso quer dizer que o homem é um ser moral, espiritual e racional. Portanto é uma pessoa. Em Gênesis encontramos Deus e o homem se comunicando na mais estreita comunhão e entendimento. Para que haja comunicação é essencial haver de ambos os lados personalidade independente. O homem não pode manter comunhão com uma mera influência, um poder ou uma força impessoal. A personalidade é caracterizada pelo conhecimento próprio, pela inteligência, pelo sentimento e pela vontade. A Bíblia ensina que Deus tem essas características (Ex. 3:14; Jr. 29: 11, Sl. 33:5; 115:3)

         6. Deus é Auto-existente

De onde veio Deus? O Filho de Deus, o Senhor Jesus Cristo, que afirmou: “ninguém conhece o Filho senão o Pai; e ninguém conhece o Pai se não o Filho”  (Mt. 11:27), nos dá a verdadeira resposta : “O Pai tem vida em si mesmo”  (Jo 5:26). Em outras palavras, Deus não tem origem e esse é um dos significados básicos de Deus ser o “Eu Sou” (Ex. 3:14)

         “A palavra origem só se aplica às coisas criadas. Ao pensarmos em qualquer coisa que tenha origem, não estamos pensando em Deus. Deus é auto-existente, enquanto as coisas criadas necessariamente se originaram em algum lugar e em algum tempo. Além de Deus, não há nada auto-causado. A nós esforçarmos por descobrir a origem das coisas, confessamos na nossa crença de que tudo foi criado por Alguém que não foi criado por ninguém. Aquilo que existe precisa ter uma causa anterior e que lhe seja pelo menos equivalente, pois o menor não poderá produzir o maior”. (A. W. Tozer)

7.    Deus é auto-suficiente

Se Deus precisasse de algo ou de alguém fora dEle mesmo, teríamos que admitir que esse “alguém” é que seria, de fato, Deus. Ele não pode receber em Si mesmo nada que Ele mesmo não tenha dado antes. Em Deus, não há carência nem solidão. Se você algum dia ouvir alguém dizer que Deus criou o homem porque estava se sentindo sozinho, esqueça disso! Esse não é o Deus que a Escritura apresenta. Paulo disse aos filósofos gregos que Deus não precisa de coisa alguma (At. 17:25).

Leia Isaías 40: 12-18; 44:24: Jeremias 10:12 e verifique quem ajudou Deus a criar todas as coisas.

·        Você aprendeu algo novo sobre Deus hoje?

·        A letra dos cânticos tem considerado a natureza de Deus, e refletem seu estilo de vida?

         Para adorar de forma correta, creia de forma correta. O conceito e conhecimento que temos de Deus afetam diretamente a nossa forma e intenção na adoração. Que após um momento de adoração, o Deus Criador não diga a nós o que disse aos amigos de Jó: “vocês não disseram de mim o que era reto!” Amém.

Para sua meditação diária

Segunda                           I Cr 29: 10-14

Terça                                Is. 40: 12-18

Quarta                              Is. 43: 10-11

Quinta                              Is. 44: 5-6, 24

Sexta                                      At. 17: 24-19

Sábado                              I Co. 8: 4-6

Domingo                             Sl. 115: 3-8

 

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